CURITIBA – Com o tema “Ler é conquistar a liberdade”, a I Bienal do Livro de Curitiba deu continuidade a suas atividades nesta sexta-feira (28). No que foi seu segundo dia de eventos, houve um número maior de apresentações e debates, que também tiveram um perfil mais prático.
Na busca de intercalar diferentes formas de arte, indo desde mesas redondas assistidas por centenas de visitantes até oficinas de contos – passando por exibições de filmes e encenações teatrais –, a Bienal teve um bom movimento de público ontem, o que deve melhorar ainda mais no final de semana. Até a próxima sexta-feira (04), a expectativa dos organizadores é de receber 400 mil pessoas durante os oito dias do evento.
No segundo dia, ficou claro o objetivo do projeto de integrar escritores renomados a novos nomes da literatura e também personalidades indiretamente ligadas às letras. Este foi o caso da mesa redonda que contou com a senadora Marina Silva e o teólogo e escritor Leonardo Boff, que discutiram o tema “Salvar o Planeta – Responsabilidades e Estratégias”.
Já no início do debate, tentando esclarecer o porquê de um tema como este estar abrindo os debates da bienal, Boff disse acreditar que “literatura tem a ver com tudo” e a inserção de um tema fundamental como a preservação do meio ambiente deve fazer parte do universo da cultura brasileira.
Por sua vez, Marina Silva destacou a importância do desenvolvimento cultural da nação, que passa obrigatoriamente pela cultura. Em suas palavras, “apenas crescer não é sinônimo de desenvolvimento”, e exemplificou: “podemos ter um crescimento gigantesco de nosso Produto Interno Bruto (PIB) e ao mesmo tempo não melhorarmos a distribuição de renda”.
A ex-ministra do Meio Ambiente, ao menos em dois momentos, fez um paralelo entre a pasta que dirigia no governo e a literatura. Ela disse que um país sustentável deve ser capaz também de “sustentar sua cultura” e terminou sua palestra, para mais de 300 pessoas, com o poema “Arco e Flecha”, que escreveu enquanto ainda estava no ministério.
Boas surpresas foram as exposições e palestras dos escritores Sonia Hirsch e Fabrício Carpinejar. A primeira, especialista em livros que tratam de alimentação e saúde, falou sobre alguns de seus livros, como “Paixão Emagrece, Amor Engorda”, e também de seu blog lançado neste ano, “Deixa Sair”.
Já o gaúcho Fabrício Carpinejar, que concorre ao Prêmio Jabuti deste ano na categoria Contos e Crônicas com “Canalha!”, fez pequenas palestras sobre o papel da crônica na imprensa e no blog, contando experiências pessoais e também abordando o perfil do gênero, principalmente na internet.
Para hoje (29), haverá a participação de autores como Carlos Heitor Cony e Leonardo Boff num bate papo com leitores. Na mesa redonda do dia, “O romance morreu, viva o romance”, participam Cony, o escritor gaúcho Moacyr Scliar e o professor de literatura luso-brasileira Nelson H. Vieira.
Luiz Felipe Marques, especial para Último Segundo.